O amor que atravessa o fuso
Educação, saudade e a arte de levantar quem está curvado A mesa está posta às 18h30. Dois pratos ocupados, três pratos vazios — cada um com um guardanapo de pano dobrado sobre o vazio. Não é luto: é promessa de lugar. Na parede, um mapa com três alfinetes — São Paulo, Ottawa, Lisboa. Às seis e meia, uma tela se acende, emoldurada em madeira, como as janelas da casa: porque não é um aparelho, é a quarta janela. Do outro lado, no Canadá, uma menina de seis anos e um menino de três esperam que o avô desenhe um dragão. E ainda outro menino de 3 anos em Setúbal quatros horas à frente participa da interação. É uma cena simples. E é justamente por ser banal que merece ser olhada. Dentro dela está comprimida uma pergunta que evitamos: que tipo de pessoa se forma na travessia dessa distância — e quem ainda é capaz de atravessá-la com alguém? A experiência que nos inquieta Um estudo recente sobre a educação das famílias ocidentais registra uma mudança silenciosa entre duas gerações. Os avó...