O Que o Homem Moderno Perdeu Sem Perceber
A AMBIGUIDADE FECUNDA Há uma tensão que atravessa toda a Escritura e que a liturgia da Semana XV do Tempo Comum coloca com uma nitidez desconcertante: a semente é divina e infalível, mas o solo é humano e livre. De um lado, a promessa irrefragável de Isaías — "A palavra que sair da minha boca não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi ao enviá-la" (Is 55,11). Deus fala, e o que Ele diz realiza-se. A sua Palavra não é som que se dissipa; é potência criadora que nunca falha o seu alvo. A chuva desce, a terra é fecundada, o fruto nasce — não por mérito do solo, mas por fidelidade do Semeador. Do outro lado, a parábola de Jesus apresenta quatro terrenos, e apenas um deles produz fruto. A semente é a mesma. O Semeador é o mesmo. O que varia é a disposição do coração que recebe a Palavra. Há coração que se fecha, coração que se entusiasma e murcha, coração que se deixa sufocar, e coração que acolhe, persevera e...