Postagens

A importância dos ritos e os Riscos do Culto performático

Imagem
  O pensamento de Byung-Chul Han lança uma luz poderosa sobre dois modos muito distintos de viver o sagrado hoje. Ele nos ajuda a perceber, com clareza quase desconcertante, o abismo que separa a liturgia como ritual recebido e objetivo — especialmente a Missa — de certos modelos de culto centrados na performance do pregador e da música. Não se trata apenas de estilos diferentes, mas de duas antropologias, duas espiritualidades e, no fundo, duas teologias. Han parte de um diagnóstico incisivo: na sociedade contemporânea, o eu tornou-se o seu próprio tirano. Vivemos sob a pressão constante de performar, de nos expor, de provar valor, de brilhar. Até o imperativo de “ser você mesmo” transforma-se numa forma de violência, porque exige que o sujeito nunca descanse de si. É nesse cenário que o ritual revela sua força libertadora. O ritual não serve para produzir resultados, não otimiza experiências, não gera capital simbólico. Justamente por isso, ele desarma o narcisismo. Ao introduzir...