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O amor que atravessa o fuso

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  Educação, saudade e a arte de levantar quem está curvado A mesa está posta às 18h30. Dois pratos ocupados, três pratos vazios — cada um com um guardanapo de pano dobrado sobre o vazio. Não é luto: é promessa de lugar. Na parede, um mapa com três alfinetes — São Paulo, Ottawa, Lisboa. Às seis e meia, uma tela se acende, emoldurada em madeira, como as janelas da casa: porque não é um aparelho, é a quarta janela. Do outro lado, no Canadá, uma menina de seis anos e um menino de três esperam que o avô desenhe um dragão. E ainda outro menino de 3 anos em Setúbal quatros horas à frente participa da interação. É uma cena simples. E é justamente por ser banal que merece ser olhada. Dentro dela está comprimida uma pergunta que evitamos: que tipo de pessoa se forma na travessia dessa distância — e quem ainda é capaz de atravessá-la com alguém? A experiência que nos inquieta Um estudo recente sobre a educação das famílias ocidentais registra uma mudança silenciosa entre duas gerações. Os avó...

A Ilusão do Desejado e a Reconstrução da Presença

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O banquete do Rei, o vinho novo de Maria e o caminho de volta para casa Reflexão integrando a XXVIII Semana do Tempo Comum e o episódio "A Ilusão do Desejado" (Pensar para Viver) Introdução e Contextualização: a casa que continua de pé — e deixou de ser lar Há um sintoma que talvez seja o mais silencioso do nosso tempo. Não é a tristeza, nem a ansiedade: é a dificuldade quase invisível de permanecer — diante do outro, diante de nós mesmos, diante de Deus. A casa continua fisicamente intacta, mas deixou de funcionar como lar. Falamos como nunca, e talvez nunca tenhamos estado tão sós. Chamamos a isso a ilusão do desejado e a arquitetura da solidão : a mesa onde cada um olha para a própria tela; a família transformada em audiência invisível; a intimidade que vira conteúdo; a refeição que vira consumo individual; a conversa que vira notificação; a presença que vira mera disponibilidade digital. Nunca comunicamos tanto — e, como advertia Marshall McLuhan, comunicação não é comun...