A MESA QUE SACIA A FOME DA ALMA
O vazio do homem moderno e o caminho de volta ao coração Semana XVIII do Tempo Comum — Uma reflexão à luz da Tradição e da graça divina INTRODUÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO Há uma fome que nenhum banquete deste mundo conseguiu saciar. Não te escandalizes com esta descoberta: é precisamente essa fome o sinal mais seguro da tua vocação para Deus. A liturgia da Semana XVIII do Tempo Comum abre com um convite que atravessa vinte e oito séculos até chegar a nós com a mesma urgência: «Vinde, comprai, comei... sem dinheiro e sem despesa» (Is 55,1). O povo de Israel, cansado de esperar no exílio, deixara-se seduzir pela abundância aparente de Babilônia — pela sua cultura, pelas suas seguranças, pelos seus ídolos. E o profeta Isaías ergue a interrogação que deveria fazer-nos tremer: «Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta?» (Is 55,2). Eis o diagnóstico mais lúcido da condição moderna. O homem contemporâneo trabalha, acumula, consome, produz e realiza — e permanece interiorment...