A civilização exausta e a alma sem centro
Por que, apesar de termos acesso a tudo, nos sentimos tão vazios e exaustos? Há épocas em que uma civilização ainda conserva monumentos, linguagem, memória, técnica, eficiência e prestígio , mas já não conserva com a mesma força o princípio espiritual que lhe dava unidade interior. É precisamente aí que nasce a pergunta do homem contemporâneo: por que, apesar de termos tudo, nos sentimos tão vazios e cansados? A resposta não está, em primeiro lugar, na falta de meios, mas na falta de centro . Quando uma cultura conserva as formas e perde o fundamento; quando preserva o brilho exterior, mas enfraquece o eixo interior; quando multiplica recursos, mas já não sabe para que vive, o resultado inevitável é o que hoje vemos com tanta nitidez: cansaço difuso, fragmentação da identidade, ativismo sem paz, liberdade sem direção e abundância sem sentido . O episódio “A Espanha está desaparecendo?” (link abaixo) formula isso com grande densidade ao mostrar que o verdadeiro colapso não começ...