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A Saudade do Tempo que Nunca Vivemos

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  Anemoia, ordem do amor e a reconstrução da casa interior à luz da XXVII Semana do Tempo Comum INTRODUÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO Você já sentiu saudade de um tempo que nunca viveu? Feche os olhos por um instante e deixe a pergunta doer. Homens e mulheres de nossa época estão gerando, com inteligência artificial, fotografias de uma vida que jamais tiveram: uma refeição à luz de abajur, uma sala com vinil girando, crianças brincando sem telas por perto. E, diante dessas imagens, sentem uma pontada estranha no peito — uma saudade sem objeto, uma dor sem diagnóstico. O poeta e lexicógrafo John Koenig deu nome a esse sintoma no Dicionário das Dores Obscuras : anemoia — a nostalgia de um tempo que não se viveu. Mas, como revela a sabedoria antiga que o Episódio 30 do Pensar para Viver nos recorda, ninguém chora de verdade por um abajur ou por um vinil. O que essa nostalgia procura nomear é outra coisa: pertencimento, continuidade, estabilidade, uma mesa onde as pessoas se olham, uma casa ...