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O Amor e vida no Espírito

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  Homem, conheça-te a ti mesmo, domine suas paixões, pratique o bem e, sobretudo, viva na Presença de Deus. Para nós, que desejamos desenvolver, tanto quanto for possível, uma vida saudável, seja ela pessoal ou social, tornou-se uma necessidade premente conhecermos alguma coisa da vida da alma. Precisamos de Deus e de sua Vida, precisamos do seu Amor. Nada neste mundo nos ajuda a procurá-Lo.  Porque a alma deve ordenar-se para Deus, precisa livrar-se dos apegos e todas as coisas criadas. Precisa superar a tendência a substituir Deus por algo menor, purificando-se para abandonar os ídolos.  Por isso que andar no Espírito é permitir ser conduzido ao “deserto”,    ao processo da “noite escura” dos sentidos e da alma. Somente por esse caminho de libertação dos vícios poderá enraizar-se no Deus que está além dos caprichos do tempo e do espaço. Isso porque procuramos ancorar nossas vidas em algum bem mundano, mas esses apegos terrenos são, necessariamente, evanescente...

O “Pão” que nos alimenta, e transforma nossas misérias

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  O capítulo 6 do Evangelho de São João traz um discurso sobre o Cristo, verdadeiro pão da vida. Por isso, esse trecho que trata da multiplicação dos pães e peixes neste Evangelho de hoje deve ser lembrado nessa ótica. Estamos acostumados a ouvir pregações que ressaltam o aspecto da multiplicação ou até mesmo da partilha.  O que nos quer dizer o evangelho quando nos introduz na compreensão da Eucaristia mediante a multiplicação dos pães? Que a graça supõe a natureza; que a redenção não anula a criação, mas constrói em cima dela.  Quer dizer que na Eucaristia há uma continuidade e uma harmonia entre a realidade material e a graça espiritual.  Assim, de que é o sinal do pão antes da consagração? É sinal da fecundidade da terra, do trabalho do homem, da solicitude do pai de família, do alimento, da unidade.  E depois da consagração de que sinal é o pão? Do sacrifício de Cristo, do seu amor sem limites para o homem, do alimento espiritual, da unidade do corpo de Cri...

Aquele que ouve a palavra e a compreende, esse produz fruto

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  Talvez o leitor, ao se deparar com a parábola, surpreenda-se com tais critérios: ele, semeador, faz a semente da Palavra cair em todos os tipos de solo.  Todavia, aqui é preciso atinar para alguns importantes elementos. O leitor ainda nem passou do capítulo 13 de Mateus e observa que o próprio Jesus já tinha se deparado com todos estes tipos negativos de solo.  Basta um breve olhar para perceber.  A semente caída na beira do caminho, logo consumida pelos passarinhos, faz lembrar a Palavra arrebatada pelo Maligno (Mt 13,18). Algo semelhante tentaram fazer os fariseus com o Senhor Jesus: eles atribuíram a Beelzebu a força que sustentava suas ações (Mt 9,34; 12,24). Até já haviam deliberado sobre como matar Jesus (Mt 12,14).  Quanto ao destino da semente caída em solo pedregoso ou em meio a espinhos, os mesmos traços se podem vislumbrar nas palavras de Jesus acerca das cidades à beira do lago: Corazin, Betsaida, Cafarnaum. Elas foram muito agraciadas pela presenç...

A Palavra de Deus, embora poderosa, submete-se à qualidade do coração

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  Esta parábola, das mais conhecidas, revela a força e a autenticidade da Palavra de Deus. Ela tem em si mesma a capacidade de produzir cem por um.  Ao mesmo tempo Jesus ensina que, sendo poderosa, a palavra é simples e humilde como a semente, submete-se à qualidade da terra. Arrisca morrer mesmo sem razão, sem motivo, sem que daí surja o fruto esperado.  A Palavra é o próprio Jesus que se sujeita à pobreza daqueles que o escutam. Arrisca ser pisado, esmagado, sufocado pela dureza, pelos interesses e pelas preocupações dos homens. O homem experimenta diversas dificuldades ao longo da vida. Este caminho diário de encontro e confronto consigo próprio, com os outros e com Deus, não é fácil.  O confronto com as necessidades, as limitações, os sacrifícios e as renúncias, mesmo quando é em busca de um bem maior, é um confronto sério e de grande tensão tanto a nível físico como a nível espiritual.  A tentação de pensar a felicidade desejada como uma vida fácil, cômoda ...

Ser cristão é sempre procurar viver como Jesus

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  Estamos no início de uma seção do Evangelho que se desenvolve entre a saída da Galiléia e a ida a Jerusalém, na qual Jesus passa quase todo o seu tempo na formação de um grupo de discípulos que deverão ser, depois de sua ascensão, os pastores da comunidade. Procedendo assim, ele não abandona o povo para cuidar de uma elite; não se separa das massas; somente procura seu bem de modo diferente; toma providências em vista do futuro de seu Reino. Hoje diríamos: preocupa-se com o futuro da Igreja.  Nesta formação dos futuros pastores das comunidades, Jesus alterna a “ação” (o envio em missão) e a “contemplação”; o contato com as multidões e a solidão com ele. Nesta última, ele os educa à oração (cf Lc 11:1ss) e os instrui sobre os mistérios do Reino (cf Mc 4:10s).  Ao longo da história da salvação, Deus foi mandando guias e pastores ao seu povo para que o organizassem e lhe dessem a segurança necessária frente às incursões de outros povos e ao oportunismo de falsos líderes. H...

O Êxodo - um caminho de transformação

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  “A massa era sem fermento, pois foram expulsos do Egito com tanta pressa que não tiveram tempo de preparar alimento para a viagem.” Êxodo‬ ‭12:39‬ Do Egito não se traz nada. Quem tem a desventura de cair na escravidão não pode esperar trazer as mãos cheias.  As ilusões de uma terra abundante em trigo na qual o José fora governador, que exportava cereais para toda a parte, desfizeram-se em nada. Vêm descalços e sem provisões.  Do pecado sai-se sem nada. As ilusões de ter, de alcançar, de subir, de obter, perdem-se rapidamente ao chegar à realidade.  “Deem graças àquele que guiou seu povo pelo deserto. Seu amor dura para sempre!” Salmos‬ ‭136:16‬ O êxodo para casa do Pai também não é lugar de privilégios, é deserto, tempo de silêncio, para voltar ao coração e limpar os pés da lama do Egito. O caminho para o Pai é espaço de desprendimento, renúncia e encontro consigo mesmo.  O caminho do êxodo é tempo para purificar-se, conhecer-se, curar-se, libertar-se e prepar...

Vinde a mim todos vós que estão cansados

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  Jesus percebe que os homens assumem as responsabilidades da vida como fardos pesados que colocam sobre si próprios e simultaneamente vivem a tentação de atirar fardos para cima dos outros.  São as questões pessoais, as responsabilidades familiares e sociais, o trabalho de cada dia e as dificuldades espirituais.  Tudo é visto como um fardo que impede o homem de ser feliz. Perante essa análise, Jesus, convida os homens a estar com Ele, a procurá-lo e a encontrar nele o alívio, aprendendo a viver sem a ganância que tira a paz e inquieta o coração. Para termos um bom descanso, para restaurar as energias e forças que gastamos precisamos lembrar que o último sentido da vida não se esgota somente no trabalho, no esforço e na luta. Pelo contrário, se revela a nós na alegria da partilha, na amizade, na convivência com todos. Precisamos enraizar nossa vida em Deus, fonte do verdadeiro e definitivo repouso. Há um descanso que só se pode encontrar no mistério de Deus acolhido em no...